Minha Música Cantada e Falada

Participei do Projeto Música Falada, no Teatro Castro Alves, no dia 30 de agosto. Foi uma noite muito especial para mim, pois, além de fazer parte do projeto que é sucesso, celebrei os meus 40 anos de trajetória musical.
O Projeto Música Falada é uma iniciativa vitoriosa do trio de agitadores culturais Andrezão Simões, Fernando Guerreiro e Jonga Cunha, que, como poucos, sabem extrair o possível e o impossível dos artistas convidados.
A noite musical e contada foi muito especial, sobretudo, em razão da imensa plateia que lotou as dependências do Teatro Castro Alves. É muito bonito e animador para o artista pisar ao palco e ver que tem muita gente do outro lado para lhe ver e ouvir.
Na plateia, além dos muitos colegas da música, como Saulo Fernandes, Laurinha, Juliana Ribeiro, Falcão e Dirceu Factum, só para citar, destaco a presença de Orlando Campos (Tapajós), Wesley Rangel e Roberto Santana, três ícones da música baiana brasileira e do trio elétrico.
Esmiuçando o que aconteceu na noite festiva de música, muita música por sinal, não poderia deixar de falar das participações mais do que especiais de minha mãe Zuleika Caldas e da minha netinha Maria Alice, filha de André Caldas, meu filho mais velho. Elas cantaram comigo lindamente. Foram momentos marcantes da apresentação que ainda ecoa.
Sobre o Seu Orlando Campos (Tapajós), fiz questão de, mais uma vez, agradecer pela oportunidade de tocar no Trio Elétrico Tapajós, palco móvel que abriu as portas do mundo da música profissional para mim.
Outra pessoa que agradeci foi Wesley Rangel, responsável pela profissionalização dos estúdios de gravação da Bahia. Foi na WR, de Wesley Rangel, que gravei o disco Magia, obra que marca o começo da Axé Music. Na WR, atuei como arranjador e músico.
Também prestei os meus agradecimentos a Roberto Santana, que é referência quando o assunto é a indústria do disco. Por meio de Roberto, o disco Magia caiu no gosto do Brasil. O selo inicial, a Nova República, era de Roberto e José Vicente Brizola, filho de Leonel Brizola.
No bate-papo entrecortado por música, revisitei várias fases da minha carreira, desde os bailes da vida pelo interior baiano. Contei tudo, sem traumas e sem ressentimento, pois a ideia do Música Falada é isso, ou seja, é mergulhar na história da pessoa e fazer com que a plateia entenda essa história e curta o seu legado sonoro.
Levei a minha banda, fugindo da estética do som mínimo quer o projeto tem valorizado. Mas, como poderia dar a dimensão de minha vida musical sem o som total que existe na minha obra? Seria impossível!
Pedi desculpa a Fernando Guerreiro, responsável pelo cenário, por deixar o palco mais habitado de músicos. Foi preciso habitar o som, pois os arranjos de minhas canções que dão início à Axé Music precisavam ser ouvidos como desde sempre. O resultado foi recompensado e a plateia saiu da noite de gala extasiada.
Também tive a oportunidade de, mais uma vez, apresentar as minhas novas empreitadas musicais, cantando músicas novas que fazem parte de minhas 130 canções inéditas. Maria Alice cantou comigo Nariz de Bola, uma parceria minha, dentre muitas, com o amigo César Rasec. Ainda dessa leva de novas canções, destaco o rock Maldição e o frevo Apartheid da Alegria.
E assim reafirmei para o público o que reafirmo para mim todos os dias: eu sou música!














